“Ela chegou chorando em casa” conta mãe de menina criticada pelos colegas por sonhar em ter uma festa de aniversário do Homem-Aranha

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A paixão começou nas princesas e foi parar em um personagem considerado “para meninos”. No início deste ano, Malu estava assistindo a vídeos da personagem “Elsa”, do filme Frozen e, em um deles, apareceu o Homem Aranha. Foi paixão à primeira vista, e então, ela começou a pedir à mãe que, a próxima festinha de aniversário, fosse com o tema do super-herói.

 

“Tentamos algumas vezes fazer com que ela mudasse de ideia, porque ela sofreria críticas duras, e para uma menina de 3 anos seria difícil, né? Mas ela nunca mudou de ideia”, diz Larissa Normandia, mãe da menina, que contou ao Anedotas de Mãe que os garotos mais velhos da escola em que Malu estuda, a repreenderam porque Homem-Aranha era “coisa de menino”.  “Ela chegou chorando em casa porque não poderia ter a festa do Aranha. Eu conversei com ela e disse que ela poderia ter sim, e que seria uma festa linda. Desde aí nós nos esforçamos muito para fazer acontecer”, afirma.

 

Fátima Normandia, avó de Malu, ajudou nos preparativos, mas não quis parar por aí, apenas no suporte à organização. No dia da festa, que aconteceu no último final de semana, ela resolveu fazer um discurso. “Para deixar explicado às pessoas que não sabiam o que havia acontecido, resolvi fazer um texto sobre tudo que ocorreu. Foi uma forma de dar ênfase no fato de que menino e menina podem ser o que quiserem. Ao final do texto, chamei uma  Drag Queen que, vestida de mulher maravilha, desceu as escadas do salão da festa ao som da música Lua de Cristal, da Xuxa, tocando bem alto. Vi olhares, poucos, que estivessem talvez reprovando, mas sem dúvida, foram pra casa pensando em “repensar”. O texto feito com cuidado para deixar livre até o pensamento de cada um. Respeito é a palavra! Recebemos muitos cumprimentos pela iniciativa e cheguei a ouvir que fui corajosa em colocar a discussão no meio de uma festa infantil”, conta.

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Confira um trecho do discurso da avó de Malu:

“Certo dia, Malu chegou chorando em casa porque, ao expressar sua admiração pelo personagem que é sua festa hoje, disseram a ela que não poderia ter uma festa do Homem-Aranha. […] E foi um choro… Mas não foi só um choro! Prontamente a mãe dela foi a primeira a se manifestar e disse com muito carinho e entendimento:

-“Você pode sim!”

E ela pode! Essa festa está sendo um sonho dela. Amar super-heróis e acreditar nas mensagens e valores que cada herói quer passar. Ela entendeu além: um herói é justo, te ajuda e te escolhe independente de sua cor, forma física, crença, tipo de cabelo, opção sexual, deficiência física, etc. […] Escute seu pequeno, dê valor as suas ideias, desejos e vontades. Entenda-o e faça dele um ser humano muito melhor que nós mesmos. Preconceito é uma opinião que formamos das pessoas antes de conhecê-las. É um julgamento apressado, superficial e muito perigoso, pois, ao invés de melhorar a nossa vida e da sociedade, acaba trazendo muitas situações complicadas.”